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quarta-feira, maio 30, 2007

A FILA DA ABSOLVIÇÃO

Não importa que a defesa do senador Renan Calheiros tenha mais furos que rede de pescador. E é pura perda de tempo catar as contradições e lacunas no seu depoimento: o presidente do Senado jamais correu qualquer risco. Tal como em comédia burlesca ou em novelas de televisão, antes do primeiro capítulo, o final está pronto na cabeça do autor. Por que infernizar a vida do presidente do Congresso, um dos líderes do PMDB que ajudou a tanger o partido para as pastagens do governo, de um companheiro sempre pronto a atender ao pedido dos colegas? Por Villas-Bôas Corrêa, repórter político do JB

Depois, os antecedentes armam a grelha - ou o limpa-trilhos do preciso regionalismo alagoano - para o pouso do senador no fofo colchão da impunidade: o Congresso não tem autoridade para punir ninguém, nem deputado do baixo clero, depois de consagrada a absolvição de dezenas de denunciados no festival de escândalos do Legislativo recordista, como nunca se viu igual na história deste país. Por entre os felizardos premiados com os gasparinos da absolvição da ladroagem do caixa 2, das propinas do mensalão, nas trapaças apuradas pelas CPI dos Correios, das ambulâncias e de emplacada a máxima de que o voto que elege e reelege tem o generoso sentido do perdão do povo, o ilustre e empelicado representante de Alagoas desfila com o garbo de carneiro em parada.

A imprensa cumprirá o seu dever de catar contradições na defesa que parece armada com tela de galinheiro. Se os documentos exibidos nos 24 minutos de engasgada emoção não comprovam a origem do dinheiro que o pai pródigo gastou com a filha, fruto de uma relação extraconjugal, o senador arranjará outros. O lobista da Mendes Junior, o prestimoso amigo Cláudio Gontijo, deve dispor de pilhas de recibos para todas as serventias.

O presidente do Senado obedeceu ao figurino e comportou-se como recomendam as normas da Casa. À fila de senadores de todos os partidos que o afogaram nos abraços e sacudiram o pó com as palmadas nas costas e anteciparam o desfecho sabido, seguiu-se o blablablá da bazófia: tudo deve ser apurado para a exemplar punição dos culpados. Se for o caso, o rigoroso Conselho de Ética examinará as acusações e a defesa. E, na forma do louvável costume, o plenário do Senado garante a absolvição e a nova manifestação de solidariedade.

A esfuziante solidariedade pessoal ajusta-se ao modelo ético de novos tempos. Pipocam as justificativas para barrar a ressaca da indignação dos poucos que gritam e dos muitos que calam. Todas ou muitas de inegável oportunidade, como o financiamento público de campanha; a fidelidade partidária ou o fechamento dos ralos na elaboração do Orçamento.

Mas não se toca nem com o dedo mindinho nas causas reais da desmoralização do mais democrático dos poderes - como as semanas de dois a três dias úteis, as quatro passagens mensais para o fim de semana com a família, a orgia das mordomias, vantagens e benefícios, como a da inqualificável verba indenizatória de R$ 15 mil para as despesas dos quatro dias da folga semanal.

O ex-deputado federal e estadual, acadêmico Afonso Arinos de Melo Franco Filho, confessou a sua perplexidade: "Não consigo encaixar o meu pai neste Congresso".

Puxamos o fio do saudosismo e fomos longe na especulação: não apenas o senador Afonso Arinos, o mais completo parlamentar desde o fim do Estado Novo. Para ficar em alguns exemplos: Milton Campos, Nereu Ramos, Gustavo Capanema, Aliomar Baleeiro, Bilac Pinto, Carlos Lacerda, Alberto Pasqualini, Odilon Braga, Daniel Krieger, Petrônio Portela, Thales Ramalho, Célio Borja e Adauto Lúcio Cardoso.

Paramos por aí. Silenciados pela vergonha.

Venezuela
“O DISCURSO FOI MUITO VIOLENTO”
Para a analista política venezuelana Elsa Cardozo, Hugo Chávez usará a situação para acelerar reformas e tentar estender o controle do Estado sobre outros setores, como universidades. Por telefone, destaca a participação dos estudantes nos protestos. "Os jovens, que estavam apáticos, reagiram." - Por Cristina Azevedo – O Globo

O Globo - Estamos observando um endurecimento do governo?

ELSA CARDOZO: Sim, isto forma parte de um quadro de endurecimento de todo um processo que o presidente chama de revolucionário. A medida sobre a RCTV foi levada adiante, sem levar em conta o impacto internacional negativo. Diria que este foi o desafio mais atrevido de Chávez. E certamente não vai se deter aí. O presidente já anunciou que vai estudar quando termina a concessão da Globovisión. Além disso, fala de magnicídio, de complô para golpe de Estado. De maneira habilidosa, está transformando os protestos populares, dizendo que o objetivo deles é um golpe de Estado, que são para matá-lo. O presidente vai aproveitar a situação para acelerar seu endurecimento, terminando por tomar o controle não só dos meios de comunicação, mas do que lhe falta controlar no país, incluindo universidades.

O Globo - Os estudantes praticamente ficaram de fora das manifestações nos anos anteriores, mas são eles que lideram os protestos atuais. O que mudou?

ELSA: Isso se deve a diversos fatores. Um é o rechaço à não renovação da concessão (da RCTV), que é generalizado. E a atitude do governo é tão agressiva que os jovens, antes apáticos, reagiram.

O Globo - Mas se a medida é rechaçada por 70% dos venezuelanos, por que praticamente só vemos jovens nos protestos?

ELSA: Creio que há certa fadiga. Houve muitas mobilizações nos anos passados. Tanto dos setores opositores, quanto do governo. E o setor menos cansado é precisamente o que menos participou até agora: os estudantes.

O Globo - Pode haver violência?

ELSA: Pode ocorrer o excesso da força pública na tentativa de manter a ordem. O discurso do presidente hoje foi muito violento, já presume uma situação de violência encadeada e preparada, na qual Chávez anuncia que vai assumir como o comandante da força e da ordem.

GOVERNO QUER QUE PSICÓLOGO ACOMPANHE FILHOS DE PRESIDIÁRIOS
Uma das propostas do "PAC da Segurança" - que terá como enfoque crianças e jovens de 10 a 25 anos, de 11 regiões metropolitanas do país - será identificar e acompanhar famílias de presidiários, em especial os filhos desses criminosos, considerados pelo governo como jovens de alto "risco social".
Um dos itens do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), a ser apresentado amanhã Lula da Silva pelo ministro Tarso Genro (Justiça), será a proposta de inclusão de um psicólogo nas equipes do Saúde da Família.

A idéia é que esse profissional acompanhe e possa incluir filhos e filhas de presidiários em programas sociais do governo federal. Hoje, o programa do Ministério da Saúde atende em torno de 90 milhões de pessoas no país e conta com cerca de 27 mil equipes.

Outra idéia é que os presos e suas famílias desenvolvam uma mesma atividade profissional. O objetivo é que, ao obter a liberdade, o preso possa se unir à atividade dos familiares, diminuindo o risco de reincidência no crime.

As propostas serão abertas a críticas e sugestões de governadores, prefeitos e setores da sociedade durante um mês. Depois disso, o pacote será encaminhado ao Congresso. Por Eduardo Scolese – FSP

COMENTÁRIO:
Com relação à matéria sobre o Chávez, magnicídio significa "assassinato de grande homem”. Sim, ele é um narciso. Um tipo clássico de paranóico-truculento. Nero também foi uma figura típica do paranóico clássico que tendo mandado incendiar a cidade, e sucedendo libertar-se da sanha dos cidadãos enfurecidos pela caridade de um punhal assassino, ainda haveria de balbuciar em seu último alento, na exaltação do amor próprio embevecido: que grande poeta Roma está perdendo!

Já com relação ao nosso pequeno narciso - por enquanto apenas arrogante, cínico e presunçoso - ele não vai recuar do próprio ridículo, porque é sintoma típico dos egocêntricos a perda da capacidade de discernimento.

No entanto, Lula tem sua própria fé na sua magnanimidade, e isto será o suficiente para fazê-lo perseguir a mesma meta já atingida pelo colega venezuelano.

À nação cabe agora uma escolha urgente, ainda que tenhamos perdido o primeiro timing: Ou, a maioria silenciosa nesta democracia, os apáticos de toda sorte se levantam (...) ou endossaremos definitivamente a paranóia do nanico que se acreditou gigante. Por Gaúcho/Gabriela (MOVCC)

1 Comments:

  • Caros amigos,

    Parou porque?
    Algum problema com o Blog dos amigos? Censura?

    abraços

    By Anonymous Daniel, at 11:38 AM  

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