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sexta-feira, dezembro 15, 2006

O CHORO DE LULA. UMA MISTURA DE VINGANÇA E PAVOR

Na primeira posse, foi a emoção do operário que “chegou lá”. E agora? Por que chorou?

O presidente reeleito disse que foi porque descobriu que o eleitor pobre não precisa mais de intermediários para votar. Mas quem prestou bem atenção às suas palavras e às suas circunstâncias, fica com a impressão de que Lula chorou porque não tem a menor idéia do que fazer daqui para frente. Chorou de medo.

O menino perdido na tempestade, a imagem de Eduardo Galeano, autor de “As veias abertas da América Latina”, simbolizando o nativo oprimido do continente, é hoje a melhor imagem para o próprio Lula. Seu discurso cada vez mais “bolivarista” – na verdade um mimetismo da retórica populista de Hugo Chávez –, com o qual celebrou o nascente Parlamento do Mercosul, não tem um pingo de consistência. É mais do mesmo – ou mais da mesma retórica aguada usada no chororô da diplomação.

A emoção de Lula ao dizer que o povo pobre aprendeu a votar com a sua própria opinião, sem fazer o que lhe mandam, tem endereço certo. O presidente está impregnado dessa teoria persecutória de seus auxiliares mais próximos – como o ministro e faz-tudo Marco Aurélio Garcia e o professor-paranóia Bernardo Kucinski – que o fazem acreditar a cada manhã, mesmo antes da campanha eleitoral, que a imprensa burguesa faz de tudo para dinamitá-lo. Depois dos conselhos apocalípticos de Kucinski-Garcia, Lula já começa o dia mal-humorado, revoltado com o golpe imaginário de cada dia da mídia elitista.

O choro de Lula mistura vingança e pavor. Sem projeto claro para o segundo mandato, rezando para que a conjuntura continue ventando a seu favor, o presidente se abraça à crença de que seu poder emana da força primitiva dos descamisados – e as instituições restantes que tratem de amá-lo ou deixá-lo.

Na falta de idéia melhor, esse mesmo filão político da conexão com os pobres do mundo dominou o discurso de Lula no nascedouro do Parlamento do Mercosul. O presidente disse que ouve “vozes dizendo que o melhor é fazer acordo com os Estados Unidos”, e responde que, ao invés disso, a aposta no Mercosul significa a opção por uma “política de generosidade e de compreensão”.Nunca antes na história deste país se ouviu uma retórica diplomática tão pueril. O chororô da ideologia sul-sul, do pacto nacional e continental dos descamisados, é o que há de mais marcante e inconsistente na era Lula.

Hoje, o presidente reeleito mostra em diversos de seus movimentos, especialmente no cenário nacional, maturidade de estadista. Tem conseguido evitar, por exemplo, que seu governo vire refém de facções histéricas de seu próprio partido, ou das brigadas fisiológicas do PMDB, todos mal disfarçados de justiceiros do crescimento econômico.

Mas Lula parece continuar acreditando que sua criptonita é o papel de bibelô da pobreza mundial, o personagem do Lech Walesa que deu certo.

É um caminho puramente ideológico, segregacionista, cheio de totens bolivarianos vazios e arroubos perigosos como a política de “big brother” do Itamaraty contra os não-alinhados. O presidente precisa entender que é este delírio que poderá, mais tarde, fazê-lo chorar de verdade.
por Guilherme Fiuza - NoMínimo

LÁGRIMAS E MAIS LÁGRIMAS. UM RIO DE LÁGRIMAS
Ao vivo nos canais de notícias e canais abertos menores, depois também nos
telejornais, Lula chorou, Dilma Rousseff também, no momento em que ele foi diplomado presidente e disse que o povo escolheu "sem intermediários", sem "formadores de opinião". Um dia antes, Heloísa Helena também chorou nos telejornais e vídeos da web -e Romeu Tuma com ela.É o fim do ano, mas também o fim de quatro anos que fecham com manchetes quase unânimes, ontem dos portais aos telejornais, "JN" à frente, sobre os parlamentares que decidiram "dobrar seus salários". Por Nelson de Sá - FSP

ESCÁRNIO NO CONGRESSO
EM NOVA atitude de desprezo pela opinião pública, deputados e senadores decidiram elevar seus salários em 90,7%. Com o aumento, seus vencimentos passarão dos atuais R$ 12.900 para R$ 24.600.

O valor equivale ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, o máximo permitido pela Carta. Os quase R$ 25 mil, no entanto, estão longe de representar tudo o que o contribuinte gasta com os parlamentares - há ainda R$ 50 mil mensais em verbas de gabinete, R$ 15 mil para manterem escritórios em seus Estados, além de recursos para habitação, viagens, correio etc.

A iniciativa é inoportuna por razões simbólicas e concretas. O aumento deverá produzir um efeito cascata que custará ao erário pelo menos R$ 1,7 bilhão anual - quantia comparável à que o governo federal reserva para investir em aeroportos, portos e hidrovias ao longo de 2007.

A Constituição prevê que os salários dos 1.059 deputados estaduais e distritais e dos 51.819 vereadores do país sejam fixados proporcionalmente ao do deputado federal. Os quase R$ 2 bilhões em despesa extra são uma estimativa conservadora - não leva em conta as casas que pagam 14º e até 15º salário nem que vários assessores têm o rendimento atrelado ao do legislador.

É um acinte quase dobrar o próprio salário ao cabo de uma legislatura desastrosa - maculada por dois dos maiores escândalos do ciclo democrático recente. Fazê-lo no momento em que se discute a necessidade de reduzir despesas na Previdência por meio da diminuição dos reajustes no salário mínimo é escarnecer da população mais pobre.

Deputados e senadores se aproveitam dos estertores de uma legislatura já desacreditada para lançar-lhe o ônus de uma iniciativa que lhes trará benefícios privados à frente. É por conta desse tipo de esperteza que o descrédito do Congresso cresce em ritmo comparável ao dos salários de parlamentares. Editorial da FSP

CADÊ O BOM HUMOR?
LULA SE IRRITA E NÃO FALA SOBRE SALÁRIO DE CONGRESSISTAS

Lula da Silva mostrou-se irritado, nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, quando jornalistas perguntaram sua opinião sobre dois assuntos.

Primeiro, sobre a decisão das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado de aumentar os salários dos parlamentares de R$ 12.800 para R$ 24.500 e, depois, sobre a declaração do Thomaz Bastos, de que os mais cotados para sucedê-lo no ministério são o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence e o atual ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro.
O Lula balançou a cabeça para os lados, em reprovação, e reclamou: "Eu não sei. Fazem perguntas de coisas que não sei que aconteceram."
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JUSTIÇA NAS MÃOS DE TARSO
Cresceu muito a possibilidade de Tarso Genro, transferir-se para a pasta da Justiça. A mudança poderia ter sido anunciada ontem, mas foi adiada por conta do mau humor do Lula da Silva. Ele tinha uma reunião marcada com o Thomaz Bastos, para bater o martelo sobre a sucessão.

Antes de ir ao Palácio do Planalto, Bastos deu uma entrevista à Agência Brasil, órgão de notícias do próprio governo. Disse que o nome de seu sucessor seria anunciado ontem e que os dois candidatos mais fortes eram Tarso Genro e Sepúlveda Pertence, membro do Supremo Tribunal Federal. Lula irritou-se ao saber da entrevista e transferiu o encontro com Bastos para quarta-feira.

Poucas coisas irritam mais o Lula do que sentir-se pressionado a tomar decisões. Especialmente por meio da imprensa. Por Gustavo Krieger, Olimpio Cruz Neto e Helayne Boaventura – Correio Braziliense.

A PIOR LEGISLATURA DA HISTÓRIA DESTE PAÍS
Um em cada 5 deputados é investigado na atual legislatura. O Congresso já passou por épocas de grandes escândalos. Entre 1993 e 1994, por exemplo, os congressistas tiveram sua imagem abalada pelo caso dos anões do Orçamento. Mas o atual cenário não tem paralelo no Parlamento em período de normalidade institucional.

A atual legislatura, que acaba de decidir que os salários de deputados e senadores praticamente dobrará a partir do ano que vem, ficará marcada como uma das piores da história do País. A 52ª legislatura foi a que revelou mais escândalos de corrupção envolvendo deputados e senadores.
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EM FINAL MELANCÓLICO, CPI INDICIA APENAS 10
A CPI dos Sanguessugas acabou ontem, depois de pouco mais de seis meses de investigação. O relatório final foi aprovado por unanimidade e recomendou o indiciamento de apenas 10 pessoas, quatro envolvidas com o esquema propriamente dito e seis do chamado caso do dossiê — todos daquele que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de “bando de aloprados”. Os quatro ex-ministros da Saúde em cujas gestões a máfia se criou foram inocentados, assim como o presidente Lula e as finanças de sua campanha.

Acordo
Sobre tal incongruência, informações nos bastidores do Congresso apontavam para um acordo entre governo e oposição construído ao longo da madrugada. Por este acordo, a CPI pouparia igualmente todos os ex-ministros, apesar de ter muitos indícios sobre pelo menos dois deles, justamente Costa e Negri. Os integrantes da comissão negaram a negociação.

Sobre o caso do dossiê tucano, que não fazia parte da investigação inicial, Amir Lando estudou horas uma forma de enquadrá-lo legalmente. Mas nem a Polícia Federal, a CPI ou o Ministério Público descobriram de onde veio o dinheiro apreendido com os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha. Assim, ele não pôde indicar taxativamente a ocorrência de crime eleitoral por caixa 2 ou abuso de poder econômico, a despeito de todos os personagens ocuparem funções estratégicas no comitê de reeleição do presidente Lula. Lando terminou propondo o indiciamento de todos os “aloprados” apenas por formação de quadrilha. Por Ugo Braga- Correio Braziliense

É A GLÓRIA
Batendo palmas, distribuindo sorrisos, organizando fotografias e chamando até tucanos de companheiros, Paulo Okamotto era o homem mais feliz do mundo na cerimônia de sanção da Lei Geral da Micro Empresa. Com permanência garantida na presidência do Sebrae, o "doador universal" levou até claque ao Planalto. Por Renata Lo Prete – FSP

Por Gaúcho/Gabriela (Movimento Ordem e Vigília Contra a Corrupção)