movimento ordem vigília contra corrupcao

terça-feira, maio 30, 2006

LENÇÓIS DE ALGODÃO EGÍPCIO


Admitamos, somos subdesenvolvidos, reduzidos a três classes sociais: AAA (de aproveitadores, arrogantes e amorais); BBB (de burros e big brothers); e CCC (de coitados, castrados e caseiros em geral).


Neste sábado presenciei cenas tristes de um Brasil subdesenvolvido. Um Brasil morto, pela esperteza, vamos dizer assim. A Baía da Guanabara serviu de outdoor para uma marca de automóveis, a Volvo, sem que essa marca tenha pago um tostão ao estado, ao país. Os incautos dirão logo: mas ganhamos com a propaganda, com a divulgação de um evento de porte, bem organizado, bem realizado, com segurança, etc... Isso é pouco, e isso é obrigação. Tiraram proveito do mesmo outdoor empresas de eletrônicos e telefonia, vivaldinos que fabricam produtos e geram necessidades inúteis, engodos, aos subdesenvolvidos de consciência – senhores consumistas.


Ironicamente um sonho virava realidade. Um esporte elitista, a vela, levava para a orla guanabarina milhares de pessoas, formando um anel humano nos calçadões e janelas de edifício em privilegiado endereço, um anel da ignorância.Primeiro porque os entusiastas da vela e torcedores da equipe brasileira eram objeto de uma campanha milionária de marketing de fixação da marca, sem ganhar como figurante de comercial; tudo bem que Hollywood tenha feito o mesmo, contratando atores como George Clooney para chegarem “ao Oscar” dirigindo “green cars”, mas aquilo é o inferno do glamour e da idiotização, vê quem quer, ou quem tem interesse profissional; no caso da vela, sendo esporte e por estar intimamente ligado a uma atividade de lazer, a um estilo de vida, a uma mentalidade marítima que perdemos ao virarmos as costas para o mar desde que os Holandeses vinham nos roubar, é atestado de subdesenvolvimento não cobrar o que vale um outdoor que exibe em carne e osso, ao mesmo tempo, o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e o espelho de água mais sensual do mundo.


Por último, envelopando uma série de ignorâncias menores, está que a maioria das pessoas não entende o que é uma regata como entende o que são 22 homens correndo atrás de uma bola. E, como não há narração ao vivo, mesmo quem entende um pouco fica a ver navios andando para lá e para cá, limitado a identificar o barco que está liderando a competição; mais monótono do que um joguinho de pingue-pongue entre comadres.E eu estava lá também, imbecilmente promovendo uma marca de automóveis, sem cobrar cachê de figurante.


E estavam lá velejadores de fim-de-semana com atitude arrogante, exibindo camisetinhas de clubes náuticos, opinando sobre o que poderia estar acontecendo na raia de competição, sobre o porquê da equipe do “Brasil Morto” estar cometendo tantos erros no seu próprio quintal, deixando a competente equipe holandesa ganhar de goleada. E a Marinha do Brasil também, servil, ordeira, simpática, ingênua, fez serão, guarnecendo o outdoor vivo, sem ganhar nada por isso.


Uma cena me chamou a atenção; uma traineira com cinco pescadores descamisados invadiu a área delimitada para a regata, jogou ferro e seus ocupantes pescavam; um escaler motorizado, e remendado, da Marinha aproximou-se (seguido de um helicóptero que quase mergulhou na água) e conduziu gentilmente a traineira para a área permitida; da orla, ao meu lado, um homem com traços burgueses gritou com raiva: “Sai dai subdesenvolvido!”, acompanhado por comentários do mesmo gênero de pessoas próximas. A um terço da competição acabar deixei o posto de figurante gratuito e fui embora.


Cheguei em casa, abri a Folha e li a declaração de Lima Duarte: “odeio o Lula..., ele faz a glamourização da idiotice, ignorância e imbecilidade”. A declaração do Sassá Mutena também atingiu a Rede Globo: “não valoriza a criação, só tem interesse no que faz dinheiro”. Havia pensado em escrever sobre o novo hábito da primeira-dama de cobrir-se (e ao seu marido) com lençóis de algodão egípcio; faria relação com uma notícia lida num jornal americano do Alabama, sobre a Monsanto, que cobrará royalties e multa de agricultores brasileiros que plantaram algodão Bollard (marca exclusiva da empresa) sem pagar; faria uma relação da visita da comitiva do PT, em 2003, às instalações daquela empresa nos Estados Unidos e África; faria mais um protesto sobre a rotulagem dos produtos transgênicos de que “pode conter” ao invés de “contém organismo vivo modificado presumivelmente nocivo à saúde”; mas acho que é inócuo escrever sobre isso. Por,
Luiz Piezê


Comentário:
E o governo atual, a que classe política pertence? Movimento da Ordem e Vigília Contra a Corrupção

7 Comments:

  • Não sejamos maldosos! Mulla só se cobre com lençóis de algodão egípcio, por força da atribuição do cargo que ocupa. ehehehe

    Outra coisa: deve doer na alma, qdo elle se vê obrigado a gastar mais de 70 mil reais para adquirir toalhas de mesa e banho, com bordados especiais. E como digo: elle o faz por força da atribuição do cargo. Tenho impressão de que estas coisas devme contrariar profundamente sua ideologia, sua alma de simples "homem do povo"! PAIM!!!!...eheheheh

    By Anonymous Anônimo, at 10:10 AM  

  • Cometário acima é meu!

    By Anonymous Gaucho, at 10:10 AM  

  • Elio Gasparini certa vez escreveu que achou o máximo ver
    Lula falando emocionadamente da pobreza brasileira na TV, e na seqüência soube que
    o presidente foi para a Osteria dell’Angolo tomar uns goles de
    Romanée Conti (R$ R$ 1.500 a garrafa), O companheiro agora fuma cigarrilhas holandesas.
    No tempo das vacas oposicionistas ele fumava charutinhos
    toscanos capazes de empestear o Maracanã.
    A verdade é uma só : O deslumbramento dos governantes
    seduz os otários. Dá a impressão de que as coisas vão bem. Em contra-partida, o povão trabalha
    de graça. Adora fazer ponta, como figurante. Brasileiro é "uma graça".

    By Anonymous Anônimo, at 10:34 AM  

  • Classe "O" (de otário)sou eu: que camelei muito para poder pagar meus estudos e me formar. E, hoje, estou desempregado.

    By Anonymous Beto, at 10:54 AM  

  • Êêê....vida de gado....
    povo marcado este....
    povo feliz!...

    By Anonymous Sílvio Luiz, at 5:55 PM  

  • Um país feito de classe "zzzz" para
    colocar um classe "zero à esquerda"
    como seu presidente.

    By Anonymous Tadeu B. de Souza, at 6:15 PM  

  • Pessoal, convenhamos:
    Elle até poe ser a classe "AAA" da vez. Mas o Romanée Conti, nem os charutos cubanos, nem os lencóis de algidão egípcio, aliviam aquela cara de pinguço delle. Estamos vivendo a era da "coisificação", da "fulanização", do pagóde. Isso é que é derrubar o status-quo de uma nação, de suas classes sociais. Valha me Deus que ralé!

    By Anonymous Anônimo, at 7:07 PM  

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